Muito além do brincar, os jogos tradicionais africanos ganham espaço como instrumentos de aprendizagem, valorização cultural e promoção da equidade no Centro Educacional Edgard Santos. Neste mês de julho, a unidade da rede estadual iniciou uma formação voltada à Educação das Relações Étnico-Raciais, reunindo professores, representantes de movimentos sociais, estudantes de graduação e pós-graduação, além da comunidade local — fortalecendo, assim, a ponte entre escola, universidade e sociedade.
Realizada em parceria com a Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (FACED/UFBA), por meio do Grupo de Pesquisa HCEL, e com apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT/UFBA), a atividade integra o Alinhamento de Formação Pedagógica da instituição. A iniciativa reforça a aplicação da Lei nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Durante o encontro, a pesquisadora Elizabeth de Jesus da Silva apresentou reflexões sobre o pensamento de Frantz Fanon e o potencial pedagógico de jogos como Mancala, Yoté, Shisima, Fanorona e Senet.
A vice-diretora da unidade, Rosana Pires Lima, destacou que o evento marca o início de um projeto contínuo, que se estenderá até dezembro. “Esta foi a oficina inaugural. As próximas etapas serão dedicadas à formação de professores para que as atividades cheguem às salas de aula, consolidando um polo voltado ao fortalecimento das ações antirracistas e à preparação de multiplicadores entre docentes, estudantes e movimentos sociais”, explicou.
Responsável por ministrar a formação, a pesquisadora Elizabeth de Jesus da Silva ressaltou que os jogos tradicionais preservam saberes e ampliam a compreensão sobre as contribuições da África para a humanidade. “Costumo dizer que os jogos tradicionais africanos são memória em movimento. Cada tabuleiro conta uma história; cada partida preserva uma forma de compreender o mundo”, pontuou, destacando ainda o valor simbólico de retornar à escola onde atuou como professora para formar gerações comprometidas com a equidade.
Para as professoras Camila Jacobina e Tamires Lago, que atuam no colégio, a vivência demonstrou a força dessas ferramentas na transformação da prática pedagógica. “A valorização das matrizes africanas na educação vai muito além do cumprimento da legislação: trata-se de promover práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade, estimulem o respeito às diferentes culturas e ampliem as possibilidades de aprendizagem dos estudantes”, afirmou Camila.
Tamires reforçou o impacto da experiência na rotina escolar: “A formação ampliou a percepção sobre os jogos tradicionais africanos como patrimônio cultural e fortaleceu o compromisso com uma educação antirracista, plural e inclusiva, motivando a aplicação desses conhecimentos em sala de aula para valorizar a diversidade”.
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