A Polícia Federal (PF) afirmou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma “relação funcional e instrumental” com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que atuaria na defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Segundo os investigadores, Nogueira recebia um “tratamento privilegiado”, que incluía o custeio de viagens internacionais.
As conclusões estão em um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça. O documento é a base do inquérito que investiga Vorcaro e Ciro pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, as despesas pagas por Vorcaro em viagens do senador ao exterior chegaram a R$ 468.721,78, valor que não inclui todos os custos relacionados ao uso de aeronaves privadas. Os deslocamentos tiveram como destinos Paris e Courchevel, na França, Nova York, nos Estados Unidos, e Lisboa, em Portugal.
Segundo a PF, a relação entre os dois extrapolava a proximidade pessoal e era baseada em benefícios mútuos. Enquanto Ciro Nogueira atuaria em favor dos interesses do banqueiro no Senado, Vorcaro retribuiria por meio de vantagens financeiras e pessoais.
Entre os benefícios identificados pelos investigadores, estão pagamentos mensais classificados como uma espécie de “mesada”, que em alguns casos chegaram a R$ 500 mil, além da aquisição de participação societária em uma empresa.
Hotéis de luxo, jatos particulares e viagem para estação de esqui
As investigações apontam que, entre 2024 e 2025, Vorcaro financiou sistematicamente viagens e despesas pessoais de Ciro Nogueira, usando frequentemente aeronaves particulares e serviços de alto padrão.
Conforme a PF, o suporte incluía reservas em hotéis de prestígio, como o Park Hyatt New York, pagamentos em restaurantes de luxo e até a compra de vestuário para a prática de esqui.
Os investigadores identificaram pelo menos três ocasiões em que o senador utilizou voos internacionais em aeronaves particulares pertencentes a Vorcaro. O banqueiro também teria custeado transporte nos destinos, reserva de chalés e atendido a pedidos detalhados para a aquisição de roupas destinadas a uma viagem de esqui em Courchevel, nos Alpes Franceses, realizada por Ciro Nogueira e sua companheira.
Para a PF, os elementos reunidos indicam que a relação entre o empresário e o senador era marcada por uma série de vantagens oferecidas pelo dono do Banco Master, em um contexto que, segundo os investigadores, atendia a interesses políticos e econômicos comuns.
Matéria: reprodução da internet / Hoje Bahia.

