A Bahia é o primeiro Estado do país a apresentar às escolas os resultados de uma avaliação estadual da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) com detalhamento até o nível do estudante. A iniciativa permite identificar aprendizagens e necessidades específicas e foi tema de seminário realizado nesta quarta-feira (7), em Salvador, com a participação de gestores, educadores e especialistas.
A avaliação de entrada teve caráter amostral e contemplou estudantes de três cursos do eixo de Gestão e Negócios: Administração, Recursos Humanos e Logística. Os participantes responderam às avaliações e a questionários socioeconômicos. A proposta é compreender as aprendizagens demonstradas, considerar os contextos dos territórios e apoiar o planejamento de ações pedagógicas e o aperfeiçoamento da política de Educação Profissional.
Na abertura do evento, o secretário da Educação do Estado, Marcius Gomes, afirmou que a iniciativa contribui para fortalecer a aprendizagem dos estudantes. “Nosso projeto está para além dos indicadores. Nós temos a escolha de incluir todos os estudantes e garantir o direito à educação pública de qualidade. Cuidar da Educação do Estado é cuidar de cada estudante, de cada escola e de cada território, assegurando as condições para que todos possam aprender e se desenvolver”, afirmou. Ele acrescentou que a oferta da Educação Profissional e Tecnológica também está articulada com a Educação em Tempo Integral.
Para o superintendente da Educação Profissional e Tecnológica da SEC, Ezequiel Westphal, a avaliação fortalece o protagonismo da rede estadual. “Fico muito satisfeito com a avaliação, porque caracteriza a coragem e, ao mesmo tempo, o protagonismo da rede estadual da Bahia”, destacou. Segundo ele, os dados ajudam a compreender as aprendizagens dos estudantes e oferecem subsídios para qualificar as práticas pedagógicas e a formação profissional.
A experiência reúne também a expertise do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), representado no seminário por Caique Cunha Bellato, e a contribuição de educadores da Bahia, como a diretora do Núcleo Territorial de Educação do Sudoeste Baiano (NTE 20), Lenira Souza, que abordou o uso pedagógico das evidências. “A ideia que atravessou o encontro foi clara: avaliação só ganha sentido quando volta para a escola, ajuda a enxergar o percurso dos estudantes e provoca novas possibilidades de ensinar e aprender”, ressaltou a educadora.
Hilmara Bitencourt, diretora de Informações Estatísticas Educacionais, destacou o potencial da avaliação para orientar as práticas pedagógicas e a gestão da Educação Profissional. “A avaliação de entrada oferece um diagnóstico das aprendizagens demonstradas pelos estudantes e das habilidades que precisam ser aprofundadas. A devolutiva até o nível do estudante permite que as equipes escolares planejem ações pedagógicas a partir dessas necessidades. Para a gestão estadual, a análise dos resultados, articulada às informações sobre as condições de oferta e os contextos dos territórios, subsidia decisões sobre a política educacional. É essa conexão entre diagnóstico, ação e acompanhamento que dá sentido à avaliação”, afirmou.
Em 2026, a Educação Profissional da rede estadual reúne 137.833 estudantes, distribuídos em 66 cursos de 11 eixos tecnológicos. Desde 2023, o número de estudantes cresceu 43,58%. Nesse cenário de expansão e diversificação, a avaliação contribui para acompanhar as aprendizagens e qualificar uma política que aposta na formação integral e na preparação dos jovens para a vida, a ciência e o mundo do trabalho.
Ao todo, foram avaliados 3.576 estudantes de 55 escolas, localizadas nos 27 territórios de identidade da Bahia. Além das habilidades relacionadas ao letramento profissional, a avaliação contemplou dimensões específicas da formação, alinhadas aos perfis profissionais e à inserção no mundo do trabalho.
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