O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido sob aplausos ao chegar, nesta quarta-feira (15), Dia dos Professores, ao Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, no Rio de Janeiro (RJ), para participar do evento de lançamento da Carteira Nacional do Docente.
A iniciativa integra o programa Mais Professores e tem como objetivo oferecer benefícios e descontos em eventos culturais, além de facilitar o acesso a programas de qualificação e incentivo à docência. O documento poderá ser solicitado por professores de todo o país.
Durante o discurso, que durou cerca de 30 minutos, Lula destacou a importância da educação para o desenvolvimento do país e voltou a defender a valorização dos profissionais da área. Segundo ele, o governo trabalha para “garantir que nenhum jovem precise desistir da escola para ajudar no orçamento familiar” e “é muito mais caro construir cadeia do que escola”.
O presidente citou o investimento de R$ 79 bilhões na educação superior e o plano de criação de 100 novos institutos federais, além de metas do programa Pé-de-Meia para combater a evasão escolar. Lula também reafirmou o objetivo de alfabetizar 80% das crianças até 2030, em parceria com estados e municípios.
Críticas ao Congresso e apelo à consciência política
Com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Lula fez duras críticas ao Legislativo. “O Congresso Nacional nunca teve uma qualidade tão baixa como tem agora”, disse. O presidente também fez um apelo por mais responsabilidade política nas próximas eleições, marcadas para 2026.
“Isso que é a cara do Congresso Nacional, é o resultado da consciência política que vocês tiveram no dia das eleições. Depois não adianta reclamar. Se a gente quer fazer guerra contra um país, a gente não pode mandar um soldado que vai ficar do lado do outro país. [ ] A gente não coloca raposa para tomar conta de galinheiro. A raposa vai comer a galinha”, afirmou Lula, sendo novamente aplaudido.
Ele também mencionou casos de corrupção no Rio de Janeiro e cobrou coerência dos eleitores. “Eu não consigo entender como é que esse estado, um estado altamente politizado, elege um cara para governador que era um juiz picareta, que ficou aí e não fez p**** nenhuma, se meteu na corrupção”, declarou, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que deve disputar o Palácio Guanabara no ano que vem.
O presidente completou dizendo que “o dia que acharem que o Lula não presta, ou o deputado não presta, é direito de achar”, mas reforçou que o voto consciente é essencial para mudar o país.
Educação como obsessão
Lula afirmou que sua “obsessão” é garantir que as crianças pobres tenham as oportunidades que ele não teve.
“A minha obsessão pela educação é porque eu não tive as coisas que eu acho que eu deveria ter. E hoje eu acho que o filho do povo tem que ter aquilo que todo mundo tem direito de ter. Essa é a minha obsessão pela educação.”
O presidente também defendeu a criação de universidades federais em regiões indígenas e no interior do país, para que “crianças pobres não precisem ir à capital para estudar”. Segundo o presidente, “é uma decisão política investir em educação, e não em armas”.
A ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, destacou a importância de valorizar o tempo e o trabalho dos docentes, afirmando que “qualquer dez minutos a mais tem que ser remunerado”.
Já Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, lembrou que o Brasil levou 420 anos para criar sua primeira universidade e que, “durante muito tempo, formar a elite fora do país era a regra”.
Protestos contra a anistia
O evento também foi marcado por um protesto contra a anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro. Durante o discurso de Hugo Motta, manifestantes interromperam a fala com gritos contrários à proposta, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mesmo sob vaias, Motta manteve o pronunciamento ao lado de Lula.
Encerrando o discurso, Lula afirmou que o Brasil precisa “ter coragem para investir e acreditar no futuro”.
“É muito mais caro fazer cadeia do que escola. Temos que ajudar a construir este país, permitir que todos tenham oportunidades. O Brasil só vai mudar quando nós acreditarmos que não somos cidadãos de segunda classe”, avaliou.
Matéria: reprodução da internet / Hoje Bahia.

