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	<title>Bloco Cordão da Bola Preta em 1987 / Arquivo Histórico de São Paulo - TV NOTÍCIAS 24 HORAS</title>
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	<description>NOTÍCIAS COM CREDIBILIDADE</description>
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	<title>Bloco Cordão da Bola Preta em 1987 / Arquivo Histórico de São Paulo - TV NOTÍCIAS 24 HORAS</title>
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		<title>Histórias (quase) esquecidas de repressão no Carnaval</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Feb 2020 13:43:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CURIOSIDADES]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Quantas vezes eu não fui preso e me soltaram no outro dia de manhã cedo, por fazer batucada na cidade, por causa de samba. E não era só eu não, tinha muita gente que passou por isso, por fazer organizar carnaval e fazer roda de samba no centro da cidade.” O autor do relato é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Quantas vezes eu não fui preso e me soltaram no outro dia de manhã cedo, por fazer batucada na cidade, por causa de samba. E não era só eu não, tinha muita gente que passou por isso, por fazer organizar carnaval e fazer roda de samba no centro da cidade.”</p>
<p>O autor do relato é Seu Carlão, um dos nomes mais antigos do samba paulista, e responsável pela criação da escola do Unidos do Peruche, na década de 50. Hoje, o senhor com 90 anos relembra que o carnaval, celebrado como maior festa nacional e incentivado pelos poderes públicos em quase todo país, nem sempre foi assim.</p>
<p><img decoding="async" src="https://img.brasildefato.com.br/media/00190d264ad3583a29b252baf96e46ca.jpg" alt=""></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 12px;">Bloco de Rua São Paulo, Carnaval de 1969 / Arquivo Histórico de São Paulo</span></p>
<p>“A gente fazia batucada e tinha repressão. Nos prendiam, nos levavam à delegacia e nos deixavam lá, nos dando chá de canseira e iam nos soltar só de manhã. [A repressão] acontecia porque era coisa de negro. Samba era coisa de negro e a sociedade não aceitava. De maneira nenhuma&#8230;.”</p>
<p>Seu Carlão, durante a adolescência foi engraxate e tirava seu sustento lustrando sapatos e oferecendo sambas nas imediações da praça da Sé, nos anos 40. Ali, nos intervalos do trabalho, os jovens trabalhadores jogavam tiririca &#8211; brincadeira de rasteira com movimentos semelhantes à capoeira &#8211; e tocavam samba em suas caixas de engraxar. Associado à vagabundagem, os pequenos sambistas eram constantes alvos de repressão policial.</p>
<p>“Nesses locais havia muitos cinemas, locais públicos onde os homens de posse vinham com suas esposas e os engraxates se concentravam na porta desses cinemas. Então, era muito comum que eles fossem expulsos pela polícia, que queria que esses locais fossem associados à pessoas de dinheiro, e não à jovens trabalhadores negros. Eles eram um incômodo ali.” explica o pesquisador.</p>
<p>Confira a reportagem em vídeo do Brasil de Fato</p>
<p><iframe title="Censura no Carnaval: histórias (quase) esquecidas" width="1240" height="698" src="https://www.youtube.com/embed/n5nkWDfdbMY?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Outro local conhecido pela concentração de rodas de samba no começo do século, o Largo da Banana, também recebia constantemente a visita de forças policiais, na busca de “vagabundos”.</p>
<p>Ali, segundo afirma o historiador Bruno Bornetti, os estivadores e a população negra, que ocupavam o espaço após o expediente, tinham seus instrumentos retirados e muitas vezes eram presos. Para ele, o racismo e o preconceito de classe eram também os principais motivos da repressão.</p>
<p>“Eles não queriam mostrar um carnaval africanizado, um carnaval formado por negros e mulatos, formados por pessoas pobres e que era altamente contagiante, que era altamente popular e que trazia nessa memória afetiva, que as pessoas que escutavam, se movimentavam muito mais, do que esse carnaval de polcas, de espaços fechados de brancos&#8221;, completa Bornetti.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bloco Cordão da Bola Preta em 1987 / Arquivo Histórico de São Paulo</p>
<p>Não apenas as antigas rodas de samba e cordões de carnaval foram alvo de repressão do Estado. Durante a década de 70, com as escolas e os desfiles oficiais já consolidados, a produção de sambas enredos, que reivindicavam heróis brasileiros de origem negra, também não foram bem vistas pelas forças do Estado.</p>
<p>Com a autoria do sambista Geraldo Filme, e com o título de Heróis da Resistência, o samba enredo da escola Unidos do Peruche foi responsável pela intimidação dos carnavalescos e a invasão do barracão da escola pela polícia militar.&nbsp;</p>
<p>“Naquele ano houve infiltração na escola. Nós estávamos na ditadura. Então achavam que ali era um núcleo de resistência, mas a gente só tava falando da história do Brasil. Faltando um mês, um mês e meio para o carnaval arrebentaram toda a quadra, furaram os instrumentos, bateram na minha mulher, nos meus filhos, bateram em todo mundo que tava lá. Atiraram, teve pessoa que foi ferida, levamos para o Hospital das Clínicas, ficou machucado. Foi um deus nos acuda&#8230;” lembra Seu Carlão, que era um dos principais sambistas na época.</p>
<p>Dirceu Silva, ou H, como é conhecido, antigo integrante do Unidos da Peruche, também estava presente durante o evento.</p>
<p>“Eu estava mais ou menos com 12 anos. Meu pai era baliza do Peruche e me lembro da chegada da cavalaria, meu pai pegava a gente pela mão e a gente tinha que sair correndo.”</p>
<p>Ele comenta que as marcas da violência ainda estão presentes na memória e corpo da escola. Nós temos ainda muitas pessoas, da velha guarda que tem até marca de borrachada, de cavalo que veio em cima” comenta o carnavalesco.</p>
<p>Sobre a tensão ainda presente entre forças do Estado e manifestações carnavalescas, -como por exemplo a repressão policial à blocos de rua e a difamação do carnaval de rua pelo próprio presidente, no ano passado, Dirceu comenta que o empoderamento comunitário e a espontaneidade popular impulsionada pelos blocos e pelas escolas de samba são mal vistos pelo governo.</p>
<p>“A gente aprendeu a correr atrás de nossos direitos, participar, conviver, realizar. Só que isso incomoda alguns governos. E o medo que dá, saber dos próprios direitos? Como a gente aprendeu a andar com nossas próprias pernas isso incomoda muito.” afirma Silva.&nbsp;</p>
<p>A luta encampada por Seu Carlão, pela memória e valorização do samba ainda não acabou. Atualmente presidindo a Associação Independente Cultural da Velha Guarda do Samba de São Paulo, o sambista luta pela criação de um camarote no sambódromo do Anhembi dedicado à velha guarda do samba.</p>
<p>“Nos dias de hoje, a gente luta para conservar um espaço para nós da velha guarda do samba. Nós continuamos com essa resistência, queremos nosso espaço. Estamos lutando.” conclui.</p>
<p>Brasil de Fato</p>
<p class="editor">Edição: Leandro Melito</p>
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